
Conforme explica o arquiteto Bruno Moraes, a escolha do tipo de divisória depende, principalmente, do nível de privacidade desejado e da frequência com que o espaço precisa ser aberto ou fechado. Projeto BMA Studio. Foto: Guilherme Pucci
Em abril de 2026, a pergunta que ecoa nos escritórios de arquitetura não é mais “como integrar ambientes”, mas sim “por que integrar”. Embora as plantas conectadas tenham se tornado o padrão do mercado imobiliário, o arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio, traz um alerta importante: a integração deve servir à rotina, e não apenas à moda.
“A decisão de eliminar paredes não pode ser tomada apenas por estética ou ganho visual. Muitas vezes, o morador precisa de concentração ou privacidade, e o ganho de amplitude não compensa a perda da função do espaço”, argumenta Bruno.
A arquitetura em 2026 valoriza a personalização sobre a padronização. Se você ama receber amigos e estar sempre conectado, a integração total pode ser seu caminho. Mas, se você valoriza o silêncio para o trabalho ou a separação clara entre a rotina doméstica e a social, as divisórias modernas são suas melhores aliadas. A escolha, afinal, é sobre como você deseja viver o seu dia a dia.
Quando a integração deixa de fazer sentido?
Para Bruno Moraes, o planejamento deve ser pautado no cotidiano. O conceito aberto oferece benefícios claros, mas exige cautela em situações específicas:
- Refúgio Privado: Às vezes, a varanda não precisa ser uma extensão da sala; ela pode ser um refúgio para plantas, exercícios ou um espaço gourmet reservado.
- Divisões Invisíveis: Integrar exige harmonia. Diferenças bruscas na paginação do piso ou na iluminação criam barreiras visuais que podem gerar desconforto e confusão estética.
- Ocultar o Caos: Divisórias tornam-se indispensáveis quando o morador não deseja expor a louça na pia para as visitas ou quando precisa isolar o ruído da lavanderia.
Soluções Criativas: Divisórias além das Paredes
Engana-se quem pensa que dividir significa erguer alvenaria. O leque de recursos modernos permite separar espaços com leveza e estilo:
- Cobogós e Muxarabis: Elementos cerâmicos ou de madeira que marcam presença sem bloquear a luz ou a ventilação.
- Marcenaria Escamoteável: Portas que “escondem” a lavanderia ou o escritório dentro de armários, mantendo o layout limpo.
- Painéis Deslizantes: Oferecem a liberdade de escolher entre o layout aberto ou fechado conforme a necessidade do momento.
- Cortinas: Uma solução simples e eficaz para studios e lofts, protegendo a área do dormitório de forma suave e econômica.
Checklist: Integrar ou Dividir?
| Objetivo | Melhor Solução | Exemplo de Recurso |
|---|---|---|
| Ganho de Amplitude | Integração Total | Piso único e luz contínua. |
| Privacidade Flexível | Divisórias Móveis | Portas de correr ou painéis. |
| Delimitação Visual | Divisórias Vazadas | Cobogós, brises ou estantes. |
| Isolamento Acústico/Odor | Fechamento Físico | Drywall ou esquadrias de vidro. |
Dica do Arquiteto: “Não adianta querer que os cômodos estejam ligados se houver barreiras visuais impactantes. Integrar espaços exige harmonia de materiais, luz e cores para que a transição seja natural e não contraditória”, finaliza Bruno Moraes.